MP Eleitoral vê “manipulação flagrante” em pesquisa que favorecia Pazolini e pede suspensão da Veritá no ES

O Ministério Público Eleitoral subiu o tom contra uma pesquisa divulgada pelo instituto Veritá no Espírito Santo e pediu à Justiça a retirada definitiva do levantamento. No parecer, o procurador regional eleitoral Paulo Augusto Guaresqui afirma que há fortes indícios de manipulação nos dados apresentados e classifica as falhas encontradas como “gravíssimas”.

Segundo o documento, o problema não estaria apenas em detalhes técnicos. Para o MP, a forma como a pesquisa foi montada teria capacidade real de influenciar o eleitor capixaba de maneira ilegítima.

“A manipulação encontra-se flagrante nos autos”, escreveu o procurador.

O principal ponto levantado pelo parecer é a concentração exagerada de entrevistas em Vitória. Das 1.220 entrevistas realizadas, 514 ocorreram na capital, o equivalente a mais de 42% de toda a amostra. Para o Ministério Público, o número não faz sentido diante do peso real da cidade no eleitorado estadual.

O documento aponta que Vitória recebeu um espaço muito acima do proporcional justamente em um cenário em que o então prefeito Lorenzo Pazolini aparecia favorecido no levantamento.

Enquanto isso, Cariacica, que possui população maior que a capital, teve menos da metade das entrevistas aplicadas.

Outro ponto que chamou atenção do MP foi a exclusão completa de cidades consideradas fundamentais no cenário eleitoral capixaba, como Serra e Vila Velha, os dois maiores colégios eleitorais do Estado. Municípios importantes como São Mateus e Aracruz também ficaram fora da amostra.

Para o Ministério Público, as distorções não param aí. O parecer cita situações em que cidades menores receberam mais entrevistas do que municípios maiores, sem qualquer justificativa técnica plausível.

O procurador também rejeitou a alegação da Veritá de que teria liberdade para definir sua metodologia.

“Tais argumentos não constituem salvo-conduto para a apresentação de dados dissonantes da realidade”, destacou.

Outro problema apontado foi o uso do chamado método PPT, técnica estatística que exige proporcionalidade conforme o tamanho do eleitorado. Segundo o MP, o instituto informou que utilizaria esse modelo, mas não seguiu o padrão na prática.

Além das falhas na distribuição das entrevistas, o parecer aponta uma possível irregularidade ainda mais grave: a inclusão de perguntas sobre disputa presidencial em uma pesquisa registrada oficialmente apenas para cargos estaduais.

Na avaliação do Ministério Público, isso pode enquadrar o levantamento como pesquisa irregular.

O documento ainda cita risco de “efeito de ancoragem”, mecanismo em que a ordem das perguntas pode influenciar as respostas dos entrevistados e direcionar percepções políticas.

Mesmo diante das acusações, o relator do caso no Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo decidiu não suspender imediatamente a divulgação da pesquisa. O magistrado afirmou que o caso exige análise técnica aprofundada e observou que o pedido foi apresentado mais de um mês após a circulação do levantamento.

Já a defesa da Veritá afirmou que não houve fraude e sustentou que pesquisas eleitorais possuem liberdade metodológica.

Apesar disso, o Ministério Público pediu a retirada definitiva da pesquisa, além da aplicação de multa de R$ 106 mil.

Agora, caberá ao TRE-ES decidir se mantém ou derruba o levantamento.

(Por Gutemberg Souza)

(INF.\FONTE: No Diário \\ PC Lima)

(FT.\CRÉD.: Internet \ Divulgação)